Quarto Erro

Temer o azar e apostar na sorte

 

“E, além de tudo, o que é o acaso? Nada”. (Livro dos Espíritos  1: 1: 8)

“Mas que o tempo e a sorte pertencem a todos”. (Eclesiastes 9: 11) 

 

O

 acaso nem sempre é fortuito. Temer o azar e apostar na sorte significa atribuir à casualidade da teoria das probabilidades os caminhos percorridos durante nossas vidas. Tal crença pretende alijar as conseqüências que sofremos oriundas do mundo espiritual e dos eventos vividos em nossas passagens anteriores por este Mundo, pois muitos daqueles que acreditam em sorte ou azar desacreditam na reencarnação. Esses atribuem a ocorrência de um evento feliz ao acaso e não a uma interferência espiritual que nos conduzirá a caminhos diferenciados daqueles que ora trilhamos, por motivos pré-determinados. Outros acreditam que, caso encontrem o feitiço apropriado, forças espirituais podem alterar suas vidas, radicalmente, à revelia de seus méritos. 

Mas, raciocinemos, se a sorte existisse por existir, como deveria ser ela distribuída entre nós de forma a assegurar a equânime justiça divina? E o azar? Ter sorte em determinado evento sempre nos propiciará sorte na vida? Ter azar em determinadas ocasiões nos conduzirá sempre à ruína? A crença no acaso ao invés da justiça divina nos transforma em pessoas supersticiosas que aliam determinados eventos a atitudes, ao uso de materiais, a sinais, a sonhos, gestos, pessoas etc., fazendo com que barganhemos a lógica de nossas vidas pelo desejo insano de provocarmos acontecimentos desejados, escapando de nossas provas. É esse tipo de crença que possibilita a alguns maus sacerdotes aproveitarem-se disso para enganarem adeptos ignorantes dos mecanismos que regem os eventos terrenos. Assim procedendo, esses maus sacerdotes geram o argumento empregado por aqueles que desprezam falaciosamente as religiões espíritas, acusando-as de amorais e atribuindo a falha dos religiosos à doutrina religiosa, ao invés de ao grau de evolução espiritual daqueles que delas se utilizam para ganhar dinheiro.  

A crença na sorte e no azar atinge grande número de pessoas. Basta ver quantos evitam passar embaixo de uma escada, quantos temem derramar sal no chão, quantos cuidam de ingressar em aeronaves com o pé direito, quantos carregam amuletos, quantos temem os gatos pretos e o décimo terceiro andar (em alguns países, hotéis numeram esse andar como sendo o décimo quarto), quantos procuram trevos de quatro folhas, etc. etc. Muitas vezes, para confundirem ainda mais as mentes dessas pessoas, alguns espíritos brincalhões os fazem obterem resultados correlatos a determinadas ações para assim os convencerem que existe relação de causa e efeito com o ato de superstição praticado e que foi ele o determinador do evento esperado. 

O resultado de tais crendices é a descrença nos valores humanos. É a desvalorização do mérito. É a apologia do ateísmo. É a condescendência com a injustiça. É a abdicação do esforço de cada dia em prol da busca pelo feitiço correto ou pela oração que nos concederá de pronto aquilo que desejamos, sem nada nos cobrar em termos de alteração do rumo de nossas vidas. É a crença em que “Deus é fiel”, “fazemos e desfazemos qualquer trabalho” ou “trazemos a mulher amada de volta em três dias...” que a tantos enriquecem, pelo menos nesta encarnação...  

Devemos prestar bastante atenção aos fatos que ocorrem em nossas vidas. Principalmente, naqueles que consideramos como falta ou excesso de sorte. Eles podem trazer embutidas alterações de rumo destinadas ao balanceamento de nossas existências, seja como resgate, seja como prêmio, ou seja, como missão. Meditemos em que, para os momentos que marcam profundamente nossas vidas, o acaso simplesmente não contribui... Estejamos prontos para examinarmos cautelosamente as conseqüências que podem advir de tais eventos, não como fato fortuito ou obstáculo indesejável, mas sim como reorientação de nossas rotas ou como prova a que estamos sendo submetidos, seja à prova da riqueza, à da pobreza, à da injustiça, à da dor ou à do prazer. 

Os acasos que se revestem de importância em nossas vidas quase nunca são casuais...

ibatan

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