Segundo Erro

Pensar que Deus professa uma religião e condena as demais.

“Porque não te inclinarás diante de outro Deus”.

Êxodo, 34:14.

 "Antes de nascermos, ao nascermos, durante nossa vida, na morte e depois da morte, estamos unicamente nas mãos da Divindade Suprema - Olodumaré ".

Da sabedoria do Ifá 

 

 

P

ensar que Deus professa uma religião e condena as demais é prática bastante comum resultante do desconhecimento de outras culturas e das religiões condenadas. Os que advogam essa tese são, em geral, motivados por julgamentos falaciosos que qualificam as religiões não por seus conteúdos, mas pelo comportamento da porção de seus adeptos que, por desconhecimento ou desinteresse, desobedece aos preceitos pontificados pelas suas religiões. Esses críticos confundem, às vezes propositalmente, o “Ser” com o “Dever Ser”. A maioria das críticas baseia-se nessa falácia já que a grande maioria dos terráqueos não segue sua religião à risca ou não conhece os seus fundamentos. Assim, podem atribuir o “ser” desses religiosos ao “dever ser” das religiões que condenam. Em muitas partes do Globo existiu o conluio entre o Estado e a Religião oficial, que lançava mão da citada falácia para condenar os credos não reconhecidos oficialmente. 

É fácil condenar-se uma religião por estranhar-se o comportamento diferenciado de seus adeptos, resultante das culturas que deram origem a seus credos. Por exemplo, os que crêem haver pecado no sexo dificilmente respeitarão religiões que encarem esse tema de outra forma. Assim, apenas o pleno conhecimento de outras culturas e de suas gêneses pode fazer-nos compreender e respeitar as religiões a que elas deram origem. 

É claro que essas práticas (de condenar algumas religiões) somente produzem resultados favoráveis em ambiente de total ignorância acerca dos conteúdos das religiões não oficiais ou politicamente incorretas. Assim, todos desconhecendo a doutrina da religião que se quer condenar, basta creditar a ela os erros de seus adeptos. Fossem as doutrinas conhecidas, isso não seria possível. Esse estado de coisas persiste até nossos dias, mesmo tendo ocorrido a separação entre Igreja e Estado. 

Por exemplo, são bastante atenuadas as criticas à Igreja Católica Apostólica Romana pelo morticínio e pelas torturas ignominiosas que a ela se podem debitar, pois todos os ocidentais conhecem os fundamentos das religiões cristãs. Em situação oposta, podemos citar o caso de algumas religiões de origem africana. Não sendo o Ifá, conhecimento básico destas religiões, tão conhecido quanto a Bíblia, é fácil atribuir-se a culpa pelos possíveis erros dos adeptos dessas religiões aos “ensinamentos condenáveis” de seus credos. 

A discriminação religiosa, que persistiu por tantos séculos, explica porque, no Brasil, é tão difícil estudar o comportamento dos Papas da Renascença, por exemplo. Somente em outros países é fácil encontrar publicações acerca desse vergonhoso tema. 

Em nosso planeta, Deus possui centenas e centenas de nomes. Tantos nomes quantas são as religiões criadas para servi-lo. Essa pletora de credos complica sobremaneira o entendimento que deveria existir entre os seres humanos. Isso não deveria ser assim, pois as religiões não passam de um conjunto de normas e versões elaboradas por terráqueos destinadas a consagrarem credos e procedimentos acerca de como podemos nos religar a Deus. Elas são codificadas pelo Homem em comunhão com a influência que o meio ambiente exerce sobre ele. Por isso, elas são bastante semelhantes em sua essência. É então razoável defender as virtudes ou depreciar os defeitos de qualquer religião? É determinado procedimento religioso essencial para a obtenção de um resultado espiritual específico? Certamente que não. 

Digamos que os que crêem concordam em que Deus é bom e justo ou pelo menos coerente. Caso contrário, que tipo de pessoas tolas seriam elas para servirem a tal Deus? Alguém poderia argumentar que Deus poderia comprazer-se com o sofrimento humano. Nesse caso, não haveria lógica em adorar esse Deus, já que isso poderia produzir o mesmo resultado que odiá-lo, constituindo absoluta falta de coerência. 

Mas, prossigamos com nossa argumentação. Conforme dissemos antes, imaginemos que Deus é bom e justo. Então porque depreciar aqueles que professam a religião que lhes foi introduzida nos locais onde nasceram? Como poderiam chamar Deus pelo mesmo nome que utilizamos se não falam a nossa língua? Como condenar um norte-americano por não seguir o Ifá? Ou um africano por não ser cristão? Ou um chinês por não crer em Tupã? Como poderia alguém que morasse em Nova York cumprir um ritual no cruzamento de duas movimentadas avenidas? Ou, como, durante o inverno canadense, poderia um seguidor de Tupã colher determinada folha para uma cerimônia? Porque esperar que uma criança no Congo leia a Bíblia? (a menos que seja forçada a fazê-lo por um missionário). Porque deveria um chinês ir para o inferno somente por seguir a religião que lhe foi ensinada por seus pais? Você pode seguir imaginando outras incoerências, mas eu creio que isso basta para inquietar a sua mente. 

É claro que isso somente ocorreria caso Deus fosse incoerente e injusto o que, estou certo, quase todos acreditamos não ser o caso. Além disso, como estamos de acordo em que todos vivemos no mesmo planeta, não é difícil compreender que – qualquer que seja o nome pelo qual você chama aquele que, segundo o seu credo, o criou – todos estamos falando da mesma entidade, pois seria uma coincidência bastante improvável que todas essas entidades tivessem criado o mesmo corpo celeste no qual habitamos! 

Tendo dito isso, lancemos um olhar às religiões sem os preconceitos que adotamos quando lidando com o assunto. Em geral, as religiões têm aspectos comuns:

Elas também podem ser classificadas em históricas e pré-históricas, dependendo da existência ou não de escrituras. Nas religiões ditas pré-históricas, a transmissão de conhecimentos é efetuada apenas oralmente. Mas, todos concordamos em que isso é apenas um fator humano. 

Ao pensarmos nisso, compreendemos a religião de nosso vizinho por mais estranha que nos possa parecer... A maneira correta de encarar outras religiões é aprender porque as coisas são feitas conforme por elas preconizado. Descobriremos que tais razões são: o clima, a hidrologia, a botânica, a latitude, a longitude, a topografia, a zoologia, o idioma, a política, a estratégia, a história... Poderíamos nos estender mais, porém isso é bastante.

Quase todos buscamos religar-nos a Deus. A maioria de nós, para fazê-lo, tem que adotar alguma religião. Não importa qual, pois todas elas nos conduzirão a ele, dependendo de nossa honestidade de propósito. Alguns de nós o conseguimos mesmo sem adotar qualquer religião. Assim, todas as religiões são boas! E também todos os bons pensamentos! Não podemos dizer o mesmo acerca dos religiosos. Todas as religiões conquistam certa quantidade de Poder e a luta pelo aumento dessa parcela de Poder é o grande objetivo perseguido por muitos religiosos, não importando qual a posição que ocupem na hierarquia. 

Quando alguém adota uma religião, submete-se a essa hierarquia e, em não poucos casos, tal submissão é usada não apenas com propósitos sagrados, mas para garantir o crescimento ou a sobrevivência do culto e, não raro, o bem estar econômico do líder ou lideres religiosos. Entretanto, mesmo assim, resultados milagrosos podem ser obtidos pelos adeptos enganados por líderes religiosos desonestos. Isso, para provar o poder e a justiça de Deus, que socorre os inocentes iludidos a despeito do falso propósito de alguns de seus ministros.

Outras vezes, os adeptos de uma religião, com total honestidade de propósitos, considerando que o melhor caminho a ser seguido é o preconizado pela sua fé, procuram converter os que escolheram outros caminhos, esquecendo que todos os caminhos conduzem a Deus e que em nada podemos julgar o livre arbítrio de outros, já que nos falta o pleno conhecimento dos fatos ocorridos nesta e em outras vidas que influenciaram, ou mesmo, determinaram suas decisões.

Em suma, Deus não tem apenas uma religião. Ele acolhe a todas e a todos, desde que visem o progresso espiritual e tenham bom caráter. Não, ele não favorece somente os que nasceram em determinadas localidades geográficas, pois ele criou todo o planeta.

ibatan

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