Sexto Erro

Admitir o abismo que separa a Religião da Ciência.

 

 

“Vá lá que discutais sobre o que conheceis. Por que discutis, então, sobre coisas das quais não tendes conhecimento algum? Deus sabe e vós ignorais”.

(Alcorão - 3ª Surata - Versículo 66)

"E pur, si muove!”.

(E, todavia, move-se! - Galileu Galilei)

 

E

nquanto o desenvolvimento científico sugere a necessidade crescente de readaptar-se o pensamento religioso aos novos descobrimentos efetuados, mais resistência do que seria razoável esperar está sendo encontrada nos meios religiosos que se recusam a aceitar interpretações de sua versão dos fatos, mesmo à custa do bom senso. Esses meios provavelmente temem a possibilidade da perda dos adeptos que considerem como blasfêmia a alteração de seus credos milenares. Mas, dia após dia, a Ciência aumenta a velocidade da produção dos conhecimentos que findarão por comprovar o propósito da vida no planeta. Isso torna cada vez mais crítica a necessidade de se estabelecer uma linguagem comum entre Religião e Ciência.

Na maior parte da história, Ciência e Religião estiveram profundamente ligadas e isso permanece verdadeiro até hoje, desde que a Ciência não sacuda a poeira que repousa sobre muitas interpretações das Escrituras. Essa imutabilidade religiosa gera reações que tendem a aumentar o abismo que separa os verdadeiros religiosos dos dedicados cientistas. Entretanto, as coisas não têm que ser assim, pois ao invés de negar as Escrituras, a Ciência pode lhes assegurar a consistência que é por muitos contestada.

Os “Criacionistas” cristãos defendem que o universo foi criado há seis mil anos atrás o que é negado pelos “Cosmologistas” que acreditam na tese do “Big Bang”. Mas, se relermos João XVI...

12 “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora”.

13 “Mas quando vier aquele espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade”.

Isso significa claramente que, naquela época, revelar toda a verdade apenas causaria mais confusão do que Cristo já havia criado nas mentes de seus discípulos ao contrastar o olho por olho do Deus de Abraão com os seu amai-vos uns aos outros.

18... “Não sabemos o que diz”.

Todos concordamos em que os seres humanos progridem a passos lentos. Naquela época, era impossível revelar mais do que Cristo já o havia feito. E, mesmo assim, as revelações efetuadas somente poderiam ter sido feitas pelo filho de Deus tais as dificuldades envolvidas. Elas apenas foram superadas pelo testemunho dos muitos milagres que auxiliaram as pessoas a acreditar no que seria, de outra forma, inacreditável.  É claro que esses milagres foram permitidos por Deus de forma a que fosse alcançado o objetivo muito maior de alterar a forma do pensamento humano.

Mais recentemente, outras revelações foram tornadas possíveis por meio do trabalho mediúnico supervisionado por Hyppolyte Leon Denizard Rivail (que adotou o pseudônimo de Allan Kardec). Esse educador francês, apesar do ceticismo inicial, começou a investigar estranhos e inexplicáveis fenômenos ocorridos na França durante a década de 1850. Utilizando os serviços mediúnicos de uma senhora amiga, Kardec questionou intensivamente os espíritos em busca de respostas que pudessem explicar todos os aspectos principais da vida. Seu trabalho resultou na codificação da Doutrina Espírita, conseguida após anos de entrevistas com um espírito que se intitulou como sendo o “Espírito de Verdade”.

Uma das maravilhosas revelações tornada pública pelo “Espírito de Verdade” refere-se à disputa acerca da evolução das espécies travada entre religiosos e cientistas. Ela originou-se quando da publicação da tese “A origem das espécies por meio da seleção natural” de Charles Darwin na qual se sugere que, ao invés de terem sido criados especialmente por Deus, os seres humanos são produto de evolução biológica. Os “cosmologistas” acreditam que o universo começou a partir de uma grande explosão conhecida como o “Big Bang”, depois da qual as estrelas e galáxias formaram-se lentamente durante bilhões de anos. Os “criacionistas” argumentam que o universo foi criado em seis dias há apenas seis mil anos atrás. Ambos estão corretos!

A explicação é a encarnação de Adão e seus descendentes que iniciaram reencarnações neste planeta recentemente (recentemente, considerando a idade da Terra) conforme rezam as Escrituras adotadas no ocidente. Adão e seus descendentes eram almas expulsas de outros mundos por não terem alcançado o grau de evolução requerido no tempo concedido. Quando um planeta alcança determinado grau de progresso espiritual, aqueles que perseveram em não adotar os princípios espirituais adequados e rebelam-se contra as leis de Deus, utilizando sua inteligência e poder a serviço do mal, são condenados a migrar para esferas inferiores de evolução onde sua inteligência superior (superior em comparação com os que vivem nesses locais inferiores) poderá ser empregada para o bem desses planetas. É esse o significado do chamado pecado original. É essa também a explicação de Gênesis IV, onde Caim, após ter matado seu irmão e sido expulso por Deus exclama:

14 “Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na terra, e será que todo aquele que me achar me matará”.

15 O Senhor porém disse-lhe: Portanto qualquer que matar Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse qualquer que o achasse.

17 E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e teve a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade pelo nome de seu filho Enoque”. 

Quem acharia Caim e o mataria se, em todo o planeta, apenas existiam Adão e Eva? Quem era a esposa de Caim? É claro que o Senhor sabia da existência (ele também os criou) daqueles que já habitavam a Terra. Em diversas partes da Bíblia encontram-se referências aos “filhos dos homens” e aos “filhos de Deus”. 

N.A. – Essa revelação nada tem a ver com idéias racistas, já que tanto os filhos de Deus como os filhos dos Homens encarnaram e encarnam em todas os grupos sociais dispersos neste planeta com variadas cores de peles, os quais, na verdade, constituem uma única raça - a raça humana. Assim, a idéia de uma raça ou de um povo escolhido por Deus torna-se inconsistente. Essas almas oriundas de outros planetas misturaram-se com os seres que aqui habitavam todos os continentes. Infelizmente, a má interpretação das Escrituras gera em muitos a idéia do racismo. Muitos se esquecem que ancestralidade genética nada tem a ver com ancestralidade espiritual. Ninguém pode afirmar que não pertenceu ou que não pertencerá, em outra encarnação, a determinado grupo étnico ou religioso. A idéia de que Deus prefere determinado grupo humano é inconcebível em face do equilíbrio da justiça divina que propicia a todos iguais oportunidades, de acordo com seus merecimentos decorrentes de seus carmas espirituais.

Essa tese harmoniza as divergências: Adão e Eva encarnaram neste planeta há cerca de seis mil anos, (encarnaram outros similares em muitas localidades deste globo. As Escrituras referem-se apenas a um casal porque narram apenas o ocorrido naquela porção do planeta) porém a Terra já existia há muito mais tempo e já era habitada por outros homens de evolução espiritual diversa. Esse é apenas um exemplo de como as divergências entre cientistas e religiosos podem e devem ser contornadas em nome do progresso inevitável de nosso planeta. Não se pode esquecer que as Escrituras adotadas no Ocidente não poderiam conter conhecimentos inexistentes à época em que foram produzidas, pois foram escritas pelos homens de então norteadas pelo seu entendimento dos fatos à luz da ciência contemporânea.

Alguns religiosos contestam a clareza das palavras bíblicas que evidenciam a existência no planeta – naqueles dias - de outras pessoas capazes de ferir o fratricida, além de Adão e Eva, alegando serem esses irmãos de Caim. Sua esposa seria também sua irmã. É triste verificar que, para revestirem de lógica a palavra de Deus sem terem que aceitar a realidade da reencarnação, esses indivíduos atribuam ao Criador ter premeditado a imperfeição do crime de incesto! Como se a criação de tantos indivíduos quanto o desejasse constituísse empecilho para quem criou o Universo! Como se Deus pudesse ser cúmplice de crimes cometidos por seres humanos! Qualquer pessoa que saiba que Deus é justo e que os crimes terrenos são fruto de nosso livre arbítrio, jamais poderia incorrer nesse infame erro contra Deus.

A aproximação entre cientistas e religiosos somente poderá produzir efeitos políticos benéficos à polis, fazendo com que aqueles ultrapassem mais facilmente lacunas do conhecimento científico e que a sociedade aumente o número das pesquisas visando a melhoria da qualidade de vida das populações menos assistidas ao invés de visarem apenas o lucro. Os religiosos, por sua vez, tornar-se-ão receptivos aos avanços científicos, orientando seus fiéis acerca de como interpretá-los segundo os mandamentos de Deus. Não podemos esquecer os males produzidos em muitas partes do planeta pela atitude de alguns credos ante a descoberta da pílula anticoncepcional no século passado. Não aceitando a nova realidade e eximindo-se de reeducarem seus fieis para que compreendessem o novo cenário em que passariam a viver, findaram por causar pecado muito maior: a inevitável liberação feminina, efetuada à revelia dos ensinamentos religiosos.

No Brasil, esse evento, de grande repercussão social, igualou, não pela re-interpretação do tabu religioso, como seria desejável, mas pela medicação oral, as mulheres a seus parceiros homens. A conseqüência foi o aumento da permissividade feminina. Essa reação, aliada às peculiares características sexuais dos homens e à ignorância do perturbador novo fato por algumas Igrejas (que continuaram com seus preceitos imutáveis acerca da questão) contribuíram para a produção de terríveis enfermidades sociais. O aumento da população em número superior ao que poderia ser suportado pelo crescimento econômico traduziu-se em grave redução da renda per capta e agravou ainda mais a já deficiente distribuição de renda. A partir daí, inúmeras crianças passaram a serem abandonadas também por suas mães, agora libertas do jugo sexual que as aprisionara por tantos séculos, dedicando-se muitas delas a outras motivações e afazeres.

Essa atitude de avestruz ocasionou o acréscimo de oitenta milhões de brasileiros em apenas trinta e dois anos – noventa milhões, em 1970, contra cerca de 170 milhões, em 2003 – o que significa 130% da população da França. Grande número desses indivíduos foi gerado por pais irresponsáveis desprovidos da condição de sequer sustentarem-se a si mesmos, resultando em crise social de graves conseqüências, tardiamente notadas por todos. Indicadores demográficos dessa natureza apenas poderiam causar progresso em Países em forte expansão econômica. Esse quadro poderia ter sido diferente, caso as Igrejas tivessem desenvolvido programas de reeducação sexual e de planejamento familiar, revendo seus posicionamentos em face da iminente alteração do comportamento social causado pela ciência. No afã de que pudessem evitar o que consideram pecado (sexo) presentearam as hordas do crime com numeroso exército de adolescentes sem educação, sem emprego e sem futuro previsível.

Urge, pois, que tanto religiosos quanto cientistas, dispam-se de suas roupagens tecidas pelos teares da intolerância e do orgulho em prol do progresso planetário. O encurtamento do abismo que separa Ciência e Religião terá como conseqüência a redução do número de descrentes em setores importantes da sociedade o que, sem dúvida, repercutirá beneficamente na política.

ibatan

 

Os sete erros Primeiro erro Segundo erro Terceiro erro Quarto erro Quinto erro Sexto erro Sétimo erro Conclusão

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